O processo de socialização da criança, isto é, a progressiva capacidade de conhecer e conviver com o espaço social que cerca suas regras e padrões de comportamento, inicia-se no momento em que a criança nasce. Bem tarde o desenvolvimento da linguagem, a capacidade de brincar e de interagir com outras crianças e a possibilidade de conviver com outros grupos, além do familiar, como é o caso da Educação Infantil, dão a ela novos instrumentos para lidar com o mundo.
A Educação Infantil define-se para nós, como um período de escolaridade que visa a responder às necessidades de cuidado e educação, específicas das crianças desta faixa etária. Essas necessidades estão relacionadas aos aspectos intelectuais, afetivos, físicos, sociais e morais, considerados como integrantes de um mesmo processo de desenvolvimento.
Interagindo com o meio físico e social e principalmente com as pessoas de seu grupo cultural a criança se desenvolve, se transforma e constrói diferentes capacidades, habilidades e valores. Através da sua ação e das inúmeras informações internalizadas, a criança não somente se constitui como também, modifica o universo a sua volta. Deste modo entendemos que tão importante quanto oferecer um espaço de recreação e atendimento de afeto, alimento e higiene, é permitir que a criança vivência experiências ricas e instigantes, capazes de ampliar as relações que estabelece com seu universo cultural.
Partindo desses pressupostos, nossos objetivos mais específicos no trabalho pedagógico desenvolvido com esta faixa etária organizam-se em torno de três eixos principais:
A entrada nos grupos de Educação implica a compreensão, por parte da criança, das normas de convivência de uma comunidade mais ampla do que o universo familiar-principal referência da criança até ingressar na escola. Neste período, as crianças dão os primeiros passos em direção ao mundo público. Compreender suas regras, seu funcionamento e suas limitações não são, sem dúvida, tarefas simples. Por essa razão os períodos de adaptação ao universo da escola costumam ser momentos delicados, que exigem toda a atenção da equipe de educadores no sentido de dar segurança e estabelecer vínculos afetivos com as crianças.
Objetivando auxiliar este complexo processo de socialização, procuramos: estruturar uma rotina de atividades interessantes; trabalhar os combinados da classe; promover diferentes formas de interações entre as crianças; estimular a expressão oral como meio privilegiado de explicação das necessidades e interesses; fazer com que a criança compreenda a importância do cuidado com os materiais; com a organização da sala e a preservação dos espaços coletivos.
Paralelamente, procuramos desenvolver no grupo, atitudes de cooperação, incentivando os alunos a buscarem formas de interação eficazes, junto aos parceiros, na conquista de objetivos comuns. Em geral, propomos a construção de trabalhos coletivos, organizamos espaços comuns de brincadeira e, estimulamos as trocas de informações. Aos poucos cada elemento do grupo se percebe constituindo um todo maior, capaz de contribuir para alcançar interesses conjuntos.
Nesse processo damos especial atenção à colocação de limites. Procuramos esclarecer e justificar a necessidade desses parâmetros para a convivência social e para o respeito individual e do grupo. Estas questões fazem parte do cotidiano escolar e representam um exercício constante, que visa ao equilíbrio entre o espaço individual e coletivo. Objetivamos também, que a criança exercite a capacidade de diálogo, entendido como troca de idéias, desejos e necessidades, que pressupõe expressão e escuta.
A autonomia e independência em relação aos adultos possibilitam ás crianças conquistas sociais, intelectuais e morais.
Promover a progressiva autonomia da criança significa capacitá-la e autorizá-la a constituir sua responsabilidade, não só frente às necessidades do cotidiano (vestir-se, ir ao banheiro, tomar lanche, ir buscar materiais na sala vizinha, etc.), como também em relação aos seus processos de aprendizagem e investigação, que pressupõem a possibilidade de organizar-se e executar suas tarefas, descobrir novas fontes de pesquisa e informação que não dependem só do adulto.
Objetivamos ainda o desenvolvimento da autonomia moral que se dá através do trabalho de exploração da diversidade de expressões culturais, de crenças e valores trazidos pelo grupo. Através da troca de informações e visões, visamos a que o aluno possa aprender a respeitar, questionar e avaliar sua própria concepção e a dos outros que, com ele, compõe o meio social.
Entendemos que a Educação Infantil deve primar por instigar a curiosidade e capacidade de observação, tão marcantes nesta faixa etária, na investigação dos fenômenos físicos e sociais. Deve também estimular o desenvolvimento de forma cada vez mais complexa e críticas de compreensão e relação com o mundo, de utilização da linguagem do raciocínio lógico, da conceituação dos fenômenos observados. Entendemos também que, tão importante quanto favorecer o contato com o saber mais sistematizado e permitir a expressão criativa dos alunos nas diferentes linguagens oferecendo-lhes os instrumentos e técnicas de que necessitam para se perceber como seres auto-confiante, capazes de autoria, inovação e transformação.
Na metodologia adotada é fundamental o reconhecimento do repertório (suas histórias, brincadeiras, teorias acerca do mundo) que as crianças trazem para a sala de aula. Este conhecimento do repertório infantil é o nosso ponto de partida, já que retrata seu universo cultural, seus valores, conhecimentos e inquietações. Perceber o que a criança pensa, por que caminhos vão se tecendo suas hipóteses, quais são suas questões centrais, é tão importante para nós quanto conhecer como se organizam suas estruturas cognitivas, uma vez que estas não se desenvolvem conteúdo. É a partir dos interesses e necessidades das crianças que o trabalho com o grupo é planejado.
Cabe ao professor, não somente a "leitura" destes interesses infantis, mas também a proposição de temas de pesquisa ou temas geradores, que possibilitem a vivência de experiências desafiadoras e a construção de novos e mais complexos conhecimentos. No cotidiano junto às crianças, emergem uma série de assuntos, capazes de gerar importantes temas de pesquisa, como por exemplo: o nascimento de um irmãozinho pode suscitar uma interessante pesquisa sobre a vida e suas transformações; o fato de uma criança ganhar um cachorro pode servir como um bom motivo para o grupo investigar sobre os animais; a constatação de que na maior parte as crianças do grupo moram em casas, pode motivar a proposição de uma pesquisa sobre tipos de moradia; uma festa junina pode motivar estudos ligados ao folclore e trabalhos corporais, (por exemplo, o aprendizado de danças típicas), etc. Os estudos de meios propostos visam a enriquecer as pesquisas realizadas. Deste modo, de forma interdisciplinar, as crianças têm a oportunidade de ampliar seus conhecimentos nas diversas áreas: língua portuguesa, ciências humanas, ciências naturais, matemática, artes e educação física.
Linguagem oral – plástica corporal e musical.
Linguagem matemática – ciências e datas importantes.
Procuramos também garantir um espaço privilegiado às brincadeiras, por entendermos que elas têm um papel fundamental no processo de desenvolvimento e aprendizagem das crianças. Além de propormos jogo de regras e de construção como, por exemplo, quebra-cabeças, dominó, jogos tradicionais - amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, etc., temos um especial cuidado em permitir que as crianças brinquem de faz-de-conta, que transformem o espaço da sala ou o pátio em incríveis navios, em casinhas, vendinha ou tendas de circo. No cotidiano, procuramos dar o tempo suficiente para que as brincadeiras surjam se desenvolvam e se encerrem.
O espaço ocupado pelas crianças é planejado de forma criteriosa. Além de garantirmos áreas livres para brincar, oferecemos opções de as crianças mexerem no mobiliário e nos materiais de sala, geralmente organizados de modo a favorecer o acesso de todos.
Como: parques de areia/madeira, pomar, campo, horta, etc.
Este projeto é desenvolvido semanalmente em todas as crianças, quando é realizada a evidenciação da placa bacteriana com o uso de soluções evidenciadoras, escovação supervisionada, uso de fio dental e bochecho semanal com flúor para os maiores de 6 anos e embocadura de flúor na forma de gel para os menores de 6 anos. Conjuntamente são realizadas palestras, apresentações de slides, técnicas de escovação em macro-modelos e folhetos informativos. Portanto, o objetivo do programa é diminuir a incidência de cárie nas crianças , e proporcionar a conscientização sobre o cuidado com a saúde bucal, não dispensando a assistência a nível de consultório.
O projeto "Roda de Jornal" tem como objetivo principal despertar o prazer pela leitura e é desenvolvido junto aos alunos da Pré-Escola. É uma atividade que oferece ao aluno a oportunidade de estar em contato com textos informativos ampliando seus conhecimentos e a apropriação gradativa da leitura e da escrita. O desenvolvimento desta atividade conta com o acompanhamento direto dos pais. Tudo começa na sala de aula, onde é sorteado um aluno que levará para casa o álbum da "Roda de Jornal". Os pais auxiliam o aluno na escolha da notícia, lendo, comentando, recortando e colando a notícia no álbum. No dia seguinte, o aluno expõe a notícia colada no álbum à classe, comentando o que lhe chamou a atenção, participando assim de uma rica experiência que desenvolve a oralidade, a espontaneidade e a interação no grupo.
O "Khalil Zaher" desenvolve um trabalho com leitura na infância e a prática cotidiana de ler acontece na sala de aula, no pátio, em "qualquer lugar", mas sobretudo na Biblioteca Infantil. Fundamentalmente nesse espaço são realizadas as atividades relacionadas à leitura utilizando recursos variados e incluindo a participação dos próprios alunos. Este trabalho objetiva ensinar o prazer de ler, considerando que a leitura é um dos meios que nos permite ouvir a nossa outra voz e despertar a criatividade e a imaginação. Possibilita, ainda, expandir conhecimentos e facilita a compreensão de diferentes linguagens.
A Escola valoriza sobremaneira a participação dos pais na educação dos filhos, uma vez que escola e família necessitam trabalhar juntas. Na escola isso já é uma realidade, tanto é assim que as mães vêm para sala de aula ensinar o que sabem, ou seja, para participar ativamente do processo ensino-aprendizagem. As professoras da Educação Infantil fazem o convite para a mãe (poderá ser também um pai e/ou responsável) para participar de uma tarde na escola, quando então desenvolverá uma atividade artística com os alunos da sala. O objetivo é integrar família e escola, compreendendo que esta relação é um instrumento valioso na vida escolar da criança, principalmente na etapa de desenvolvimento em que se encontra.
Todos nós utilizamos diariamente diversos meios de comunicação que são extremamente importantes em nossas vidas. Através deles transmitimos e captamos informações, aprendemos, desenvolvemos valores, temos possibilidade de saber o que acontece em diversas partes do mundo; enfim, nos comunicamos para uma harmonia nos negócios, na economia, na saúde, na educação, etc. As crianças também utilizam vários meios de comunicação. Muitos deles apenas em suas brincadeiras, representações e dessa forma desenvolvem o conhecimento, habilidades e fazem relações. Pensando nisso e acreditando poder oportunizar às crianças do Maternal II um contato com a construção, formação e utilização de alguns meios de comunicação, este conteúdo foi trabalhado através de um projeto criativo, lúdico e interdisciplinar através de diversas atividades como confecção de um jornal com notícias dos familiares, redação de uma carta para o Papai Noel, confecção de telefone celular com material de sucata, etc.
Tendo por objetivo principal conhecer e vivenciar um pouco sobre as diferentes profissões (dentista, médico, advogado, enfermeira, militar, vendedor, etc.) relacionando este conhecimento com a realidade da escola e de casa, as crianças do Jardim são estimuladas a vestirem roupas e usarem materiais para representar as profissões de seus pais, tendo assim a oportunidade de vivenciar situações relativas a elas.